O governo decidiu estabelecer uma zona de proteção em volta da área tombada de Brasília. A proposta do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) é publicar uma portaria, até o final do ano, estabelecendo alturas máximas para a construção de prédios nas bordas do Plano Piloto. O objetivo é evitar que a linha do horizonte deixe de ser livre.
Isso não altera o tamanho da área tombada, mas cria regras para a região que influencia a paisagem.
"Quando Lúcio Costa [urbanista que planejou a cidade] fez seu projeto, ele imaginou um horizonte desimpedido. As edificações têm que ter um limite de altura para manter esse conceito", diz Marta Romero, professora de arquitetura na UnB (Universidade de Brasília).
Na área tombada, há delimitação do gabarito (altura máxima) dos prédios --três ou seis andares na área residencial e edifícios mais altos na região central, desde que não superem 65 metros. Na área adjacente à tombada, no entanto, não há regras específicas.
"A tendência natural é a crescente aproximação de implantações urbanas certamente mais densas, que terminariam por envolvê-la com edifícios de gabarito alto, isolando Brasília do seu horizonte", diz Maria Elisa Costa, filha do urbanista, em carta pedindo o estabelecimento da zona envoltória.
Um caso emblemático de descontrole atual, segundo o Iphan, é a cidade-satélite de Águas Claras, onde os prédios chegam a 32 andares. Segundo o Secovi-DF (sindicato da construção civil), a região é o maior canteiro de obras hoje no país.